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14/11/2017 ás 15:58 por Geral
MPF suspeita que empresa de voo da Chapecoense não pertença a donos oficiais
Foto: Divulgação / Diário Catarinense / Bruno Alencastro (Agência RBS)
 
Uma descoberta do Ministério Público Federal em Santa Catarina (MPF-SC) pode mudar a situação dos pagamentos de indenizações aos familiares e às vítimas do acidente com o time da Chapecoense, no ano passado. Os procuradores encontraram indícios de que a LaMia, a companhia responsável pelo voo, pode não pertencer aos donos que constam do papel, e que dificilmente poderiam arcar com os pagamentos – um deles morreu na tragédia, outro está preso e o terceiro, foragido.
Os procuradores do MPF-SC encontraram documentos que apontam que a venezuelana Loredana Albacete negociou, em nome da LaMia, o fretamento da aeronave com o clube. Ela também é responsável por uma empresa que receberia, por meio de uma conta em Hong Kong, os US$ 140 mil (R$ 459 mil, na cotação mais recente) relativos ao deslocamento até Medellín.
Loredana é filha do ex-senador venezuelano Ricardo Albacete, dono do avião. Ao jornal espanhol "El Confidencial", logo depois do acidente, ele declarou ter apenas arrendado o avião para a LaMia boliviana.
As descobertas denotam "a verossimilhança das suspeitas noticiadas pela imprensa, de que os verdadeiros proprietários dessa companhia aérea possam não ser os bolivianos que figuram em seus atos constitutivos", anotou o MPF. A Procuradoria, porém, não vê relação desse episódio com o acidente. O inquérito foi encaminhado para a Procuradoria Geral da República, para que seja enviado também ao Ministério Público da Colômbia e da Bolívia.
A relação dos Albacete com a negociação do voo pode colocá-los como responsáveis solidários em eventual pedido de indenização na Justiça, afirmam o advogado Eduardo Lemos Barbosa, que representa familiares de vítimas do acidente, e o engenheiro aeronáutico Shailon Ian. Mas caberia à Chapecoense entrar contra ambos na Justiça em um procedimento chamado de "ação de regresso" - quando alguém condenado a pagar indenização aciona uma terceira parte como maneira de ressarcir prejuízos.

Fonte: Diário Catarinense 


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